AIDS


Conceito           Prevenção           Transmissão           Sintomas           Tratamento


Conceito

A AIDS, ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é provocada pelo HIV que se encontra no sangue, no líquido claro que sai do pênis antes da ejaculação, no esperma, na secreção vaginal, no leite da mãe e em objetos infectados por essas substâncias.

A pessoa pode ter o HIV e não ter AIDS, a doença pode levar até 10 anos para aparecer. Quando alguém tem aids, o HIV destrói as células do corpo os chamados glóbulos brancos, o organismo enfraquece e várias doenças podem se manifestar, são as chamadas doenças oportunistas.

O portador do HIV, mesmo não tendo AIDS, pode transmitir o vírus. Por isso, a importância da camisinha em todas as relações sexuais. Além disso, deve ser acompanhado por um profissional de saúde, que irá orientá-lo e indicar quando deve ser iniciado o tratamento com os anti-retrovirais.

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Prevenção

O programa do governo brasileiro de luta contra a AIDS, baseado na prevenção e distribuição gratuita do coquetel de medicamentos para os afetados, tem dado um duro golpe na propagação da pandemia no Brasil nos últimos anos.

Desde que em 1996 começaram a distribuir gratuitamente medicamentos à população afetada, a morte por AIDS caiu 50% e foram evitadas 146.000 hospitalizações entre 1997 e 1999 por causa das denominadas doenças oportunistas.

O Brasil conta atualmente com 100.000 pessoas infectadas pelo vírus da Imunodeficiência adquirida (HIV), ou que tenham desenvolvido a AIDS, que recebem gratuitamente os remédios anti-retrovirais. "Vivem e trabalham normalmente sem pesar nos cofres públicos com aposentadorias precoces por causa da AIDS", segundo o ministério da Saúde.

Dos 60 milhões de pessoas que foram infectadas no mundo pelo vírus HIV desde que foi descoberto, há duas décadas - 22 milhões morreram -, 203.353 casos de soropositivos correspondem ao Brasil. Desses, cerca de 113.000 já morreram. Não obstante, as autoridades estimam que existem 537.000 pessoas soropositivas no país.

Os doentes se submetem ao controle a cada dois meses e recebem o coquetel de anti-retrovirais nos 424 centros públicos de saúde habilitados. Apesar do sucesso no país, graças principalmente à política de fabricação nacional de 8 dos 12 medicamentos que integram o coquetel, e das múltiplas adesões internacionais, o programa brasileiro enfrenta a ira dos laboratórios farmacêuticos internacionais.

Os Estados Unidos iniciaram um processo contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) por violar a lei de propriedade intelectual. A legislação brasileira permite a fabricação no país de um remédio quando depois de três anos de uso local os laboratórios internacionais não fazem essa fabricação no país, e também no caso de serem caros.

O Brasil alega que dos quatro medicamentos importados, somente dois estão protegidos pela lei internacional de patentes: o Nelfinavir e o Efavirenz. Sua compra absorveu em 2000 39% dos 303 milhões de dólares gastos pelo programa de distribuição de medicamentos. No ano passado, cerca de 41% dos recursos foram gastos em compra de medicamentos produzidos em laboratórios nacionais, enquanto que 59% foram destinados a compra de remédios importados, segundo o ministério.

"Se tivéssemos que importar todos os medicamentos gastaríamos 530 milhões de dólares somente em remédios, o que faria o programa de distribuição gratuita e universal inviável", assegura o ministério da saúde.

A produção de medicamentos conseguiu baixar o custo anual do tratamento de um paciente de 7.341 dólares a 4.716 atualmente, segundo o ministério. O Brasil se tornou o promotor de uma política que quer que a indústria farmacêutica tenha sensibilidade para negociar a venda de remédios contra a AIDS levando em conta tanto os lucros como o poder aquisitivo dos países, principalmente os mais pobres, e os direitos humanos da população. Atualmente, alegam os brasileiros, 90% das pessoas soropositivas vivem em países em desenvolvimento, e menos de 1% tem acesso aos medicamentos da industrial internacional. A maioria as pessoas descobre que é soropositiva quando faz os primeiros exames pré-natais ou o estado de saúde se agrava quando aparecem as chamadas doenças oportunistas, como a pneumonia e a tuberculose.

Por outro lado, além dos dependentes de drogas injetáveis, a população heterossexual se transformou na mais exposta ao contágio.

Como usar a camisinha

Hoje, a camisinha tem uma importância muito grande na hora de transar. Ela tem seu momento e seu lugar. O tesão pelo seu parceiro(a) pode ser muito grande e, por isso, é preciso que a camisinha esteja sempre à mão. Agora ela faz parte do jogo amoroso, sendo importante saber usá-la de maneira segura.

  • Não abra a embalagem de qualquer jeito. Você pode rasgar a camisinha. Abra-a apenas de um lado, de uma extremidade a outra.

  • Muitos acham que a camisinha diminui a sensibilidade enquanto fazem amor. Não deixe de usá-la por isso. Faça o seguinte: ponha apenas uma gota de lubrificante à base de água dentro do biquinho da camisinha. Isso dará ao pênis uma sensação de umidade natural, garantindo o seu prazer e o de seu parceiro.

  • Quando o pênis estiver duro, coloque a camisinha na cabeça dele. Retire o ar da extremidade da camisinha pressionando a ponta com os dedos. Isto dará espaço para o esperma depois que você gozar. Não é preciso torcer o biquinho para tirar o ar.

  • Desenrole a camisinha até a base do pênis, deixando-a ainda um pouco enrolada para pressionar e mantê-la segura. Se você tiver fimose, rebaixe o prepúcio antes de desenrolar a camisinha.

  • Caso você ache que a lubrificação que já vem na camisinha seja pouca, passe mais lubrificante à base de água depois de desenrolá-la. Não lubrifique o pênis antes de vestir a camisinha.

  • Depois de gozar, retire o pênis, ainda duro, do ânus de seu parceiro, segurando-o pela base para que a camisinha não fique dentro dele. Retire a camisinha de seu pênis antes que ele amoleça e tomando cuidado para não derramar o esperma. Depois de retirada, dê um nó e jogue-a no cesto de lixo. A camisinha não deve ser reaproveitada.

  • No caso de fazer lavagens do interior do ânus ou vagina, nunca utilize água sanitária ou álcool. Eles são nocivos às mucosas internas do corpo humano.

  • Evite também o uso de sabões, detergentes ou cremes nas lavagens ou duchas retais/vaginais. Esses produtos irritam e fragilizam a mucosa anal e a vaginal, deixando de ser uma proteção. Use apenas água limpa.

  • Evite fazer lavagens ou duchas imediatamente antes de uma relação sexual. Elas tornam as mucosas mais frágil e podem favorecer a passagem do vírus para a corrente sangüínea.

  • Não se esqueça: lavagem freqüente diminui a flora e a proteção natural de seu intestino ou, no caso da mulher, de sua vagina.

  • Não faça uso de lubrificantes à base de óleo (vaselina, cremes, manteiga...) para aumentar a lubrificação da camisinha. Esse tipo de lubrificante superaquece e corrói o látex. É muito frustrante ter que interromper a transa para trocar a camisinha, não?

  • Evite ainda usar saliva ou esperma como lubrificantes.

  • Utilize apenas lubrificantes solúveis em água: K-Y ou Preserv-gel. Ao contrário dos outros, estes dão a sensação de umidade e não comprometem a qualidade da camisinha.

  • Por medida de segurança, evite o contato de mucosas com feridas do corpo do parceiro. Elas podem transmitir outras doenças.

  • Lave-se sempre antes e após qualquer transa. É uma forma de demonstrar carinho e respeito por seu corpo e pelo de seu parceiro.

O preservativo feminino

O preservativo feminino - chamado Femidom - deve chegar à América Latina no segundo semestre de 1997. A demora da comercialização se deve ao alto preço do produto: US$ 1,50 cada unidade, enquanto uma caixa com três preservativos custa, em média, cerca de US$ 2,50 no mercado brasileiro. O Femidom é uma espécie de saquinho, confeccionado com um látex mais resistente do que o usado nas camisinhas, com um anel de borracha em cada uma das extremidades. Com uma das mãos, a mulher o introduz na vagina - da mesma maneira como faz com um absorvente interno - deixando o maior anel do lado de fora. O anel interno deve ser acomodado no final da vagina. De acordo com o manual de instruções, a mulher sente quando o preservativo está bem colocado. O ato sexual se passa normalmente e o parceiro ejacula dentro do saquinho, que depois é retirado ao se puxar o anel externo.

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Transmissão

Somente no sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno o vírus da AIDS aparece em quantidade suficiente para causar uma infecção. Para haver a transmissão, o líquido contaminado de uma pessoa tem que penetrar no organismo de outra. Isso pode acontecer das seguintes formas:

Relação sexual

O vírus da AIDS pode ser transmitido através de relações sexuais com parceiros contaminados, se não for usado o preservativo (camisinha) durante a penetração.

A transmissão pode ser do homem para a mulher, do homem para o homem e mulher para homem. Em todos os casos de penetração há riscos para os dois parceiros. Para quem penetra e para quem é penetrado. Vamos à alguns exemplos:

  • Sexo Oral - O sexo oral pode ocasionar contaminação, principalmente através de lesões, mesmo que imperceptíveis, existentes na boca e na mucosa peninana. Doenças venéreas não tratadas também facilitam a transmissão do vírus HIV. Nunca se deve fazer sexo oral sem antes revestir o pênis ou a vagina com um preservativo.

  • Sexo anal - Sexo anal sem o uso de preservativo apresenta alto risco de transmissão do HIV/AIDS, tanto para o ativo quanto para o passivo. O vírus penetra facilmente na mucosa anal e também no intestino, e por este motivo a relação anal é considerada altamente arriscada, principalmente por que a mucosa anal é muito frágil e as pequenas lesões facilitam a entrada do vírus no organismo. É importante que o preservativo seja utilizado corretamente.

  • Relação boca-ânus ( cunete ) - Sempre quando for lamber o ânus ( também chamado anilíngua ) é aconselhável usar o " Dental Dan ", "Magicpac" ou colocar uma barreira entre a língua e o ânus, para isso basta cortar - com muito cuidado - um preservativo, para que fique como material de látex, tirando a sua golinha e protegendo-se, deste modo, na relação oral.

  • Rala coco - Para as mulheres que fazem sexo com as mulheres. Quando ocorre o atrito de vagina com vagina pode ocorrer algum tipo de sangramento, o que, por sua vez, pode facilitar a troca de fluidos sangüíneos entre as parceiras, fazendo com que seja grande o risco de contaminação pelo HIV se uma delas tiver o vírus.

  • Drogas injetáveis : Uma viagem sem volta

Muitas pessoas contraem o vírus da AIDS ao fazerem uso da mesma seringa e agulha. Isso acontece quando o sangue de uma pessoa infectada está na agulha ou seringa e entra no sangue de outra pessoa. É necessário não compartilhar seringas. Deve-se tomar uma certa precaução também com relação a agulhas de acupuntura e de tatuagem.

Recomenda-se sempre a utilização de seringas e agulhas exclusivas, sem compartilhar com outros. Sempre lavar e esterilizas agulhas e seringas com hipoclorito. Trocar seringas usadas por novas, descartáveis, em postos fixos.

Em relação a drogas não injetáveis, também existe o risco de transmissão do HIV. Desde o final dos anos 80, é sabido que homossexuais e bissexuais, usuários de drogas não injetáveis e álcool, são mais propensos a se envolverem em atividade sexual de risco, especialmente sexo anal sem preservativo Os usuários de drogas parecem ser menos sensíveis às medidas preventivas.

Transfusão de sangue e derivados

Só há contaminação se uma pessoa receber sangue contaminado com o vírus da AIDS. É obrigatório que tanto o sangue quanto os seus derivados - hemoderivados - sejam rigorosamente testados.

Gravidez

A mãe contaminada pode transmitir o vírus para a criança durante a gestação, no parto e possivelmente na amamentação.

A transmissão vertical, decorrente da exposição da criança durante a gestação, parto ou aleitamento materno, vem aumentando devido à maior transmissão heterossexual. Na África, são encontradas as maiores taxas desta forma de infecção pelo HIV, da ordem de 30 a 40%; entretanto, em outras partes do mundo, como na América do Norte e Europa, situam-se em torno de 15 a 29%. Os principais motivos dessa diferença devem-se ao fato de que, na África, a transmissão heterossexual é mais intensa, e que neste continente, o aleitamento materno é muito mais freqüente do que nos países industrializados.

A transmissão intra-uterina é possível em qualquer fase da gravidez; porém é menos freqüente no primeiro trimestre. As infecções ocorridas nesse período não têm sido associadas a malformações fetais. O risco de transmissão do HIV da mãe para o filho pode ser reduzido em até 67% com o uso de AZT durante a gravidez e no momento do parto, associado à administração da mesma droga ao recém-nascido por seis semanas. Um estudo realizado nos Estados Unidos (AIDS Clinical Trial Group 076 ou ACTG-076) demonstrou redução na transmissão vertical de 25,6% para 8,3% com o uso de AZT durante a gravidez. A transmissão pelo leite materno é evitada com o uso de leite artificial ou de leite humano processado em bancos de leite, que fazem aconselhamento e triagem das doadoras.

Ocupacional

A transmissão ocupacional ocorre quando profissionais da área da saúde sofrem ferimentos com instrumentos pérfuro-cortantes contaminados com sangue de pacientes portadores do HIV. Estima-se que o risco médio de contrair o HIV após uma exposição percutânea a sangue contaminado seja de aproximadamente 0,3%. Nos caso de exposição de mucosas, esse risco é de aproximadamente 0,1%. Os fatores de risco já identificados como favorecedores deste tipo de contaminação são: a profundidade e extensão do ferimento a presença de sangue visível no instrumento que produziu o ferimento, o procedimento que resultou na exposição e que envolveu a colocação da agulha diretamente na veia ou artéria de paciente portador de HIV e, finalmente, o paciente fonte da infecção mostrar evidências de Imunodeficiência avançada, ser terminal ou apresentar carga viral elevada.

Outras possíveis formas de transmissão

Embora o vírus tenha sido isolado de vários fluidos corporais, como saliva, urina, lágrimas, somente o contato com sangue, sêmen, secreções genitais e leite materno têm sido implicados como fontes de infecção.

O risco da transmissão do HIV por saliva foi avaliado em vários estudos laboratoriais e epidemiológicos. Esses estudos demonstraram que a concentração e a infectividade dos vírus da saliva de indivíduos portadores do HIV é extremamente baixa.

Até o momento, não foi possível evidenciar, com segurança, nenhum caso de infecção por HIV adquirido por qualquer das seguintes vias teóricas de transmissão: contato interpessoal não-sexual e não-percutâneo (contato casual), vetores artrópodes (picadas de insetos), fontes ambientais (aerossóis, por exemplo) e objetos inanimados (fômites), além de instalações sanitárias. Há raros relatos anedóticos de hipotética transmissão horizontal do HIV; porém, estes não resistem a uma análise mais cuidadosa, e as evidências são insuficientes para caracterizar formas não-tradicionais de transmissão.

Dados laboratoriais e epidemiológicos não provêm qualquer suporte à possibilidade teórica de transmissão por artrópodes atuando como vetores biológicos ou mecânicos. Não foi possível evidenciar qualquer multiplicação do HIV em artrópodes após inoculação intra-abdominal, intratorácica ou após repasto de sangue infectado. Outros estudos demonstraram ausência de replicação do HIV em linhagens celulares derivadas de artrópodes. Estudos epidemiológicos nos Estados Unidos, Haiti e África Central não demonstraram qualquer evidência de transmissão por vetores.

Conclui-se que formas alternativas de transmissão são altamente improváveis, e que a experiência cumulativa é suficientemente ampla para se assegurar enfaticamente que não há qualquer justificativa para restringir a participação de indivíduos infectados nos seus ambientes domésticos, escolares, sociais ou profissionais.

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Sintomas

Trata-se de sintomas que aparecem logo depois da transmissão do vírus. Acontece em 50% a 90% dos pacientes, sendo que alguns sintomas podem ser confundidos com uma simples gripe: febre alta, dores musculares e articulares, gânglios, dor de garganta, vermelhidão no corpo e perda de peso figuram entre eles. Tendem a desaparecer espontaneamente após aproximadamente 14 dias.

Apesar de não se dispor de dados científicos comprovados, estima-se que uma pessoa recém-infectada seja potencialmente transmissora do HIV dentro de 2 a 4 dias após contrair o vírus. O HIV consegue enfraquecer o organismo da pessoa infectada atacando certos linfócitos, os defensores naturais do corpo.

Não se pode dizer que existam sintomas diretamente relacionados ao vírus da AIDS. Na verdade, devem-se às chamadas doenças oportunistas, aquelas que se aproveitam do enfraquecimento do organismo para se instalarem, como tuberculose, pneumonia, sarcoma de Kaposi etc.

Por outro lado, existem vários sinais do desenvolvimento da AIDS. Entre os mais freqüentes, encontram-se:

  • Emagrecimento rápido, com perda de mais de 10% do peso corporal;
  • Diarréia prolongada (por mais de 1 mês);
  • Febre persistente (por mais de 1 mês);
  • Tosse seca, sem motivo aparente;
  • Suores noturnos, cansaço;
  • Candidíase (sapinho) persistente – na boca ou na vagina;
  • Manchas avermelhadas pelo corpo.

O tempo para um soropositivo apresentar sintomas varia muito: não existe qualquer prazo definido. A maioria passa mais de dez anos sem nada e alguns podem até nunca desenvolver AIDS, mesmo estando infectados pelo HIV.

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Tratamento

Tratamento é realizadopor meio de remédio anti-retrovirais. Todas as pessoas que já diagnosticaram sua soropositividade para o HIV/aids e que necessitam de apoio especial antes e durante o tratamento com os medicamentos anti-retrovirais devem procurar os serviços de apoio especializados próximos de sua residência.

O acompanhamento médico de pessoas em tratamento com os ARV deve ser constante, pois é nesse período que irão ocorrer as principais mudanças no organismo e dificuldades para adesão podem ocorrer. E nada melhor do que lugares especiais e profissionais de saúde devidamente treinados para prestar assistência completa às pessoas com aids.

O uso da terapia anti-retroviral por crianças tem prolongado significativamente a sobrevida e diminuído o desenvolvimento clássico da aids. Daí a importância de todas as crianças soropositivas terem acesso ao tratamento desde o início da vida.

O acompanhamento médico regular é essencial para o tratamento da criança HIV+, pois é a partir desse acompanhamento que dúvidas como o acesso à terapia e dicas para um bom tratamento podem ser esclarecidas.

Saber como é a vida de uma criança soropositiva pode ajudar na luta contra o preconceito, já que hoje, com os avanços da terapia, mais e mais crianças têm o direito a uma vida feliz.

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Incidência de HIV entre jovens

O trabalho de prevenção de DST/AIDS entre adolescentes torna-se, a cada ano que passa, um dos grandes imperativos do enfrentamento da epidemia em todo mundo. Embora os casos de AIDS notificados oficialmente demonstrem que a maior incidência da doença ocorre entre pessoas de 20 a 44 anos, sabe-se que, devido ao longo tempo decorrido entre a infecção pelo HIV e sua primeira manifestação clínica, pode-se estimar que grande parte das novas contaminações estão se dando na adolescência. Ainda pelos dados estatísticos, toma-se conhecimento que a maior parte dos jovens se contamina através de relações sexuais não protegidas e que o uso de drogas injetáveis começa a aparecer como causa emergente e preocupante de transmissão do HIV, principalmente entre os adolescentes do sexo masculino.

Mudança de perfil epidemiológico no Brasil

O Brasil testemunha uma nítida mudança nos padrões epidemiológicos da AIDS nos últimos anos. Se até 1987 havia ainda estados da federação, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste do país, com menos de cinco casos notificados da doença com a epidemia se restringindo, basicamente, às metrópoles regionais do Sudeste, se observa no início dos anos 90, um aumento nas taxas de incidência em regiões geograficamente afastadas do eixo Rio e São Paulo. Observa-se que paralelamente à contínua expansão da epidemia no grandes centros, a infecção do HIV se difunde para o conjunto do país. Entre a população com mais de 13 anos de idade percebe-se uma tendência de alteração da participação relativa das categorias de exposição entre o início da epidemia e a presente década. A categoria uso de droga injetável tem sua participação aumentada de 12,8% no período de 1980-88 para 25,1% a partir de 1993. Também ganha expressão crescente a transmissão heterossexual que representava 3,1% dos casos notificados nesse mesmo período saltando para 27,2% no ano de 1994. Essas categorias de exposição, de relevância crescente, estariam ocupando o espaço deixado pela retração da participação proporcional das categorias de exposição homo e bissexual que passaram de 53,8% no período de 80-88 para 26% em 93. É importante ressaltar que a alteração quanto à participação proporcional das diversas categorias de exposição reflete uma difusão da epidemia a outros grupos sociais, rompendo com a equivocada noção de grupos de risco, mas não aponta para um decréscimo real da epidemia entre homens que fazem sexo com outros homens.

Infecção pelo HIV entre mulheres

As mulheres brasileiras estão experimentando um grande aumento no risco de contrair o vírus da AIDS. Enquanto em 1985 para cada 99 homens infectados havia uma mulher contaminada, uma década depois essa relação caiu para uma mulher infectada para cada quatro homens, em média. As campanhas de prevenção freqüentemente falham em relação à mulheres por assumirem que elas não estão em risco ou por promoverem métodos preventivos sobre os quais as mulheres têm pouco ou nenhum poder de decisão, como o uso de preservativos, abstinência sexual ou fidelidade mútua. O aumento do número de casos de AIDS entre mulheres não é observado apenas no Brasil e pode ser entendido se levarmos em conta que 90% dos casos de AIDS hoje estão concentrados em países em desenvolvimento onde as mulheres, em sua maioria, ainda não conseguiram a independência econômica ou social. Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos femininos acumulados no Brasil em 95/96 é de 1.978 - 1002 transmitidos por relações sexuais não protegidas; 412 por transmissão sangüínea, inclusive uso de drogas; 131 por transmissão perinatal e 433 não definidas.

Os números da AIDS no mundo

Segundo dados estimativos, mais de sete milhões de casos de AIDS foram registrados no mundo desde o surgimento da epidemia em 1981 e mais de 4,5 milhões de pessoas morreram por causa dela. Calcula-se que são mais de 21 milhões de adultos infectados no mundo, sendo 12,2 milhões de homens e 8,8 milhões de mulheres, além de 800 mil crianças. Entre 75 e 85% das infecções se devem a relações sexuais sem proteção e quase três quartos dessas infecções são produto de relações heterossexuais. No entanto, observa-se um aumento crescente no número de casos entre usuários de drogas injetáveis que compartilham agulhas e seringas que atualmente representam 10% dos casos reportados. Noventa por cento dos portadores do vírus vivem em países pobres e repartem 10% das verbas destinadas ao combate da epidemia no mundo. Apesar de todos os esforços, a epidemia continua progredindo em um ritmo atual de cinco novas infecções por minuto, principalmente em países em desenvolvimento. Em termos de distribuição geográfica das pessoas contaminadas pelo HIV, o conjunto do continente africano lidera com 14 milhões de pessoas infectadas. Em seguida vem o sudeste da Ásia com 4,8 milhões e a América Latina com 1,3 milhão de pessoas. Na América do Norte, sendo a grande maioria nos EUA, já são 780 mil pessoas vivendo com AIDS. A Europa Ocidental possui 470 mil pessoas; os países da África do Norte e Oriente Médio com 192 mil; o leste da Ásia e Pacífico com 35 mil. A Austrália, que possui 13 mil pessoas infectadas segundo dados epidemiológicos, é o primeiro país do mundo onde a epidemia apresenta retrocesso no índice de novos casos.

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