Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
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IFSP dialoga com entidades de assistência a imigrantes e refugiados

A Comissão de estudo para viabilizar o ingresso de refugiados e imigrantes nos cursos do IFSP reuniu inúmeras entidades de assistência aos imigrantes e refugiados durante reunião realizada na noite da última quarta-feira, 16 de agosto, no Câmpus São Paulo.

O “Encontro entre IFSP e entidades de imigrantes: aproximações e possibilidades” teve como objetivo uma primeira aproximação com as instituições, de modo a identificar as demandas dessa população para que o Instituto Federal possa contribuir, num futuro próximo, para sanar as principais dificuldades educacionais de imigrantes e refugiados.

Jadallah Safa, do Centro Cultural Árabe-Palestino, destacou a importância da revalidação dos profissionais que chegam aqui. Há 30 anos no Brasil, ele acompanha o desespero dos compatriotas. “Há a urgência de revalidar os diplomas deles. Vemos médicos trabalhando em subempregos”, desabafa. O pró-reitor de Extensão, Wilson de Andrade Matos, lembrou que o IFSP tem como missão o atendimento ao público, independentemente do seu gênero, etnia e opção sexual. “Temos discutido a pluralidade da Instituição, que precisa ser plural em todos os momentos, inclusive no ingresso, proporcionando a manutenção dos estudantes nos cursos”. Ele destacou que o IFSP tem se empenhado para combater atitudes discriminatórias e se aproximado de comunidades imigrantes e refugiadas.

O reitor Eduardo Antonio Modena apresentou o Instituto Federal de São Paulo, sua estrutura, os cursos oferecidos, as ações do tripé Pesquisa, Ensino e Extensão e também os cursos de outras modalidades para atender à comunidade do entorno dos câmpus do IFSP que não é contemplada pelos cursos regulares. Modena lembrou que a Instituição iniciou o atendimento aos imigrantes com a oferta do curso de português para francófonos, e tem capacidade para oferecer inúmeras atividades para melhorar a vida da população.

Projetos

A presidente da comissão, Simone Maria Magalhães, conduziu a apresentação dos projetos desenvolvidos no Câmpus São Paulo que têm como público-alvo os imigrantes ou refugiados. As servidoras da reitoria Danielle Yura e Rocio Quispe Yujra apresentaram o projeto “Cultura brasileira para estudantes hispano-falantes”, que atende estudantes de 8 a 13 anos de escolas públicas da região do Pari descendentes ou imigrantes latino-americanos. Além de atividades lúdicas que reforçam o aprendizado da língua portuguesa, o projeto proporciona visitas a espaços públicos de cultura, lazer, ciência e tecnologia, como museus, bibliotecas e centros culturais.Courage Ehiosun conseguiu no IFSP a validação do seu curso superior feito na Nigéria. “Fui recebido com a maior alegria no IFSP, as servidoras Solange e Juliana, da PRE, fizeram o possível para me ajudar. Depois de sete anos trabalhando como engenheiro e recebendo como técnico, hoje eu sou reconhecido pela minha profissão, com registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA)”, revela.

Rocio Quispe Yujra, também representante do Coletivo Si, Yo Puedo!, apresentou as inúmeras ações voltadas à comunidade latino-americana realizadas pela entidade na região da Praça Kantuta e também nas dependências do Câmpus São Paulo. Primeira servidora boliviana do IFSP, Rocio destacou a importância do desenvolvimento de atividades voltados à comunidade do entorno da Instituição de maneira institucional, já que até então todas as atividades eram organizadas pelo coletivo. Dessa maneira, a comunidade passa a ter acesso ao IFSP e aos cursos oferecidos, desconhecidos pela população.

O professor Luiz Henrique Siloto, do Câmpus São Paulo, apresentou diversos cursos de português e cultura brasileira para hispânicos oferecidos no Câmpus São Paulo sob a coordenação do professor Flávio Biasutti Valadares, também do Câmpus São Paulo. Siloto destacou que em 2014 o número de interessados nos cursos aumentou sobremaneira, o que levou ao oferecimento de diversas oficinas pelos professores do câmpus. Apesar da grande demanda, as atividades sofrem com a evasão, uma vez que são realizadas durante a semana, período em que muitos imigrantes necessitam se dedicar ao trabalho.

Docente da área de Geografia do Câmpus São Paulo, André Eduardo Ribeiro da Silva é responsável pelo “Projeto MigrAções: imigrantes e refugiados(as) na metrópole São Paulo”, que pretende desvendar os múltiplos sentidos das territorialidades migratórias internacionais recentes dirigidas ao Brasil e, especialmente, a São Paulo. André citou, entre as diversas atividades realizadas pelo projeto, a promoção de palestras sobre o refúgio em escolas técnicas e as atividades de conscientização e discussão junto aos discentes e especialistas no assunto, com o a "Semana de Geografia: Migrações Internacionais e Educação" e a "Semana Migrações e Direitos Humanos", realizadas no Câmpus São Paulo. O professor orgulha-se ao apontar o aumento dos trabalhos de conclusão do curso de Licenciatura em Geografia que trazem como temática os processos migratórios.

A Coordenadoria de Extensão do Câmpus São Paulo, Lucimara Del Pozzo, explicou que o setor dá suporte às ações extensionistas promovidas no câmpus e realiza o diálogo com a comunidade externa de modo a conhecê-la e valorizá-la.

Instituições participantes

Todas as entidades participantes apresentaram as ações realizadas em prol do imigrante e do refugiado e também as necessidades dessa população em relação ao ensino e à profissionalização.Representantes do Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI)/ Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras)

Participaram do encontro as seguintes entidades: Centro Cultural Árabe-Palestino de São Paulo, Coletivo Si, Yo Puedo!; Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI)/ Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), Cáritas, Missão Paz, Coletivo Conviva Diferente, Centro de Integração da Cidadania (CIC) do Imigrante, Núcleo de Estudo Migrações, Gênero e Direitos Humanos (NEMICDHS) do Coletivo Si, Yo Puedo!, Centro de Apoio e Pastoral do Migrante, Feira Kantuta, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Alunos do Câmpus São Paulo e servidores do IFSP também prestigiaram o encontro.

René Quisbert, representante da Feira Kantuta, realizada aos domingos em frente ao Câmpus São Paulo do IFSP, lembrou que a feira não é apenas um espaço de gastronomia e cultura. “Muitas reivindicações nasceram lá. E agradecemos a parceria com o IFSP. O Coletivo Si, Yo Puedo cresceu muito com esse apoio”, avaliou.

Viviana Peña, do CRAI/Sefras, elogiou a iniciativa da comissão do IFSP. “Há uma grande dificuldade de inserção no mercado de trabalho por parte desses imigrantes, e eles acabam desistindo das suas profissões”, observou. Viviana apontou a necessidade de união entre as instituições para oferecer à população imigrante e refugiada condições de viverem de maneira digna no Brasil. “O imigrante precisa ser visto como um sujeito de direitos. Direito à educação, à saúde, à participação na nossa sociedade. Ninguém trabalha sozinho. É importante que trabalhemos em rede”, disse.

Jean Marie Carmain cursa o 3º semestre de Licenciatura em Geografia do Câmpus São Paulo. Ele ingressou por meio do Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, e revela que demorou anos para que tivesse documentos suficientes para participar do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. “Se houvesse um processo seletivo diferenciado para imigrantes, com menos exigência de documentos, que são custosos e levam muito tempo para serem emitidos, eu poderia ter ingressado aqui há mais tempo”. O aluno diz que foi recebido de braços abertos no IFSP e faz planos para seu futuro. “Espero que o curso traga melhorias para minha vida e que com o conhecimento adquirido eu possa ajudar outras pessoas. Hoje me considero igual a qualquer outro brasileiro”, assegura.

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Encerramento

O encerramento das atividades ficou por conta da contagiante apresentação do grupo boliviano Kollasuyu Maya, fundado no Brasil em 2014 a partir da fusão dos grupos Centro Cultural Kollasuyu e Teatro Maya Experimental. O grupo nasceu da necessidade de incentivar a juventude imigrante em São Paulo, difundindo a arte e a transformação social por meio da dança, música, teatro, oficinas, workshops e luteria.

Apolinan Cesar Chui, membro do Kollasuyu Maya, agradeceu a recepção do Brasil aos imigrantes. “Aqui podemos andar livremente, o governo nos forneceu documentos. Sempre trabalhei e nunca passei fome no Brasil”, disse. Juan Cusicanki destacou a continuidade do intercâmbio cultural por meio da música e da dança trazida pelos antepassados.

Simone Maria Magalhães, coordenadora da comissão, destacou que o evento foi um sucesso, com a adesão de diversas entidades convidadas que reconheceram a relevância dessa aproximação. “As entidades que não puderam participar pediram o agendamento de uma reunião, pois entendem que a relação com o IFSP é necessária e bem-vinda para as atividades que eles oferecem de formação e inserção dos imigrantes e refugiados no mercado de trabalho”. Ela destacou que a metodologia utilizada na atividade foi assertiva, uma vez que as entidades sentiram-se à vontade para dialogar e apresentar suas ações.

A comissão, no entanto, tem um longo caminho para percorrer, avalia Simone. “Temos importantes iniciativas que precisam ser aprimoradas e ampliadas. Esse estudo da comissão é muito importante no sentido de levantar as demandas existentes e ver de que forma o IFSP, dentro de suas especificidades, podem atendê-las. O encontro demonstrou que além de mobilizar a comunidade externa, é preciso intensificar os mecanismos e a comunicação para dialogar com a comunidade interna ao IFSP”, concluiu. 

 

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